
Ontem no caminho pra Marília, conversávamos sobre qual seria a "razão" que leva três pessoas com nível universitário a deixarem suas tarefas normais, suas famílias, pegarem um carro e viajar 200km, à noite, para ver um jogo de futebol...
Discutíamos sobre os motivos que nos levavam à Marília, sendo que às vezes, não visitamos parentes ou amigos que moram no nosso próprio bairro.
Não chegamos a nenhuma conclusão concreta.
Bom, o resultado do jogo todos já sabem.
Hoje pela manhã, acordei meu filho Pedro, de seis anos (completa sete no domingo), e contei a ele o resultado. Ele agiu com passividade.
Mas na hora de sair para a Escola, insistia com a mãe para
VESTIR A CAMISA DO NOROESTE POR BAIXO DO UNIFORME (!!!).Ele não dizia nada, talvez, não encontrando a "razão" para isso, mas queria vestir a camisa do seu time de coração e nas entrelinhas dizer "amo meu time, não importa onde e como ele esteja".
A escola dele é rígida quanto ao uniforme e minha esposa, com muito jeito, conseguiu
convencer o pequeno de que aquela idéia não era boa e que ele poderia usar a camisa quando quisesse.
No carro, ele foi cantando um brado da Sangue Rubro (E ninguém cala... esse nosso amor...) e alí, pude ver que não existe a "razão" que procurávamos na viagem.
Não existe, pois é só emoção. É só um amor, o mais puro de todos: aquele que não espera reciprocidade. Não espera que algum evento torne esse sentimento maior ou menor. É simplesmente amor. Inexplicável por natureza. Perfeito por natureza.
Meu filho me mostrou, com a simplicidade e praticidade das coisas de criança, que o
envolvimento com um clube de futebol é muito maior que qualquer momento, circunstância, ou "razão". Pois não depende dessas causas. Só depende de pessoas. Só depende de corações.
Meu Pedro me fez parar de buscar a "razão" nela própria, e encontrei no coração a resposta:
NUNCA FOMOS TÃO NOROESTINOS!